"Prossimamente"
Teaser do próximo curso
Nisso reside o otimismo, inclusive cinematográfico, de Kubrick: o novo espectador de cinema (que talvez não seja “outro” em relação ao atual, mas simplesmente o outro que se esconde por trás dele, seu partner reprimido) pode deixar-se cativar pelo encanto da tela, entregar-se e sonhar. Pois se a harmonia de 2001 se baseia apenas na tela, em um “sonho”, o filme nos coloca também, diretamente, uma questão: se a harmonia total não passa pelo sonho; se a imagem “transcendente”, a chamada imagem alienada, o cinema de ideias, não proporciona uma harmonia ainda demasiado “ideal”, racional, platônica, ou seja, parcial: se a recuperação do irracional, do fantástico, do imaginário, do onírico – que no cinema deve passar pela tela – não dá conta de metas mais ambiciosas e “estelares”. Se almejarmos a totalidade, em suma, a imagem autoritária voltará a ter significado. Então o cinema, a arte, será novamente um jogo; então será um belo “perder-se” o de quem observa com olhos infantis os efeitos psicodélicos infantis ou as cores deslumbrantes que invadem a tela. No esplendor do 70 mm., reencontramos os modelos e os truques de Méliès, as cores de Walt Disney, como em Partner e em Made in U.S.A. O espectador de 2001 deve ser também o espectador primitivo, de olhos puros, ou seja: ansioso por descobrir, pronto para a surpresa, desprovido de preconceitos, de moralismos, de censuras castradoras.
— Adriano Aprà, “Além: o louco e o cinema sideral”, Cinema & Film nº 7-8, inverno-primavera de 1969
O próximo curso será anunciado no dia 15 de agosto.
Trecho do filme Prelúdio para matar (Profondo rosso, Dario Argento, 1975).

